The Casualties – Hangar 110 – 05/12/2009

Casualties_Hangar110_2_por_AlineAmaral Os punks paulistas não tem do que reclamar. Em 2009 estiveram presente na cidade diversas bandas clássicas que impressionaram, alegraram e realizaram o sonho de muitos por aqui, inclusive dessa que vos escreve. Passaram pela cidade The Adicts, G.B.H., Sham 69, entre outros. E na noite de sábado o Casualties veio para fechar o ano. E depois de uma sequência de shows excelentes minhas expectativas eram grandes, mas infelizmente, não foram tão bem supridas.

Ás 20h00 os shows se iniciaram, e com a casa ainda vazia. A banda Dickstar subiu ao palco, fez sua parte, mas não chamou tanto a atenção. Tocaram músicas próprias, como “Povo Imbecil” e “Brutality” que fechou o show, além de mandar covers de “Vomitaram no Trem” dos Garotos Podres, “Roots Radicals” do Rancid e “Rise Above” do Black Flag, mas nem mesmo essas empolgaram tanto. Apesar da banda já ter alguns anos de estrada, a impressão que ficou, devido a vários erros durante a apresentação, é de que precisam de mais tempo para entrar em sincronia. Porém, mostraram ao que vieram.

A banda Sanitarium chegou com mais empolgação. Com músicas rápidas e letras que variam temas que vão desde a cidade de São Paulo aos políticos do país, o trio punker fez com que emergisse as primeiras rodas punks da noite. Aqueceram ainda mais a festa com os covers de Ramones e Sex Pistols com a qual fecharam o show. E ainda aproveitaram para promover o lançamento do novo videoclip e mandar um recado para aqueles que disseram que os caras pagaram para tocar naquele show. Recado dado, chega a tão esperada hora.

The Casualties apesar de ser uma banda com “apenas” 20 anos de estrada, já tem uma história, uma marca e uma incrível reputação na cena punk mundial. A banda já esteve no Brasil em 2007, e voltou para o lançamento do novo cd, “We Are All We Have”. Com as luzes apagadas e as cortinas fechadas, o som que vem ao fundo é o de um exército marchando, o Casualties Army estava em posição de ataque e pronto para iniciar a guerra.

Abrem-se as cortinas, 4 punks ditando moda e um vocalista de spike impecável estão em palco e ordenando seu exército com uma sequência de músicas que deu a idéia do que viria a ser o show, “Carry On the Flag”, “We Are All We Have” e “Get Off my Back”. Nem estava na metade da primeira música e o palco já estava invadido.

As músicas continuaram, sem dar tempo de respirar, estavam lá: “War is Business”, “Tomorrow Belong to Us”, “Police Brutality”, “Punk Rock Love”, “Ugly Bastards”, “Riot”, “Casualties Army”, “On the Front Line”, além de “Blitzkrieg Bop” dos Ramones.

Tudo seria perfeito, se não fosse a empolgação dos fãs. É isso mesmo, o show só não terminou tão bem como começou devido á empolgação exagerada dos fãs, soa estúpido, mas a quantidade de pessoas subindo ao palco atrapalhou e MUITO a apresentação da banda. Não se enxergava os integrantes e muito menos suas performances, o que se via eram pessoas tentando cantar mais que o vocalista, desligando guitarra, baixo e microfone diversas vezes, garotas tentando beijar a boca de Mr. Jorge (que deixava muito claro em seu semblante que não estava gostando tanto assim), mostrando os seios e se masturbando em cima de palco (sei que tiveram machos que curtiram isso), além de ter pelo menos meia dúzia de ajudantes tentando tirar a galera do palco. Resultado: caos total e uma apresentação que ficou devendo em todos os sentidos.

Depois de +/- 40 minutos de show, os integrantes deixaram o palco e o som de fundo do Hangar começou a rolar, o que deu a impressão que o show teria terminado (afinal, isso sempre acontece quando termina um show). Em menos de dois minutos estavam de volta, novamente com palco invadido e instrumentos desligados. Após 3 ou 4 músicas uma breve despedida da banda e sim, dessa vez o show acabou.

Eram aproximadamente 22h35 quando a banda saiu de palco, o som de fundo começou a rolar, as luzes se acenderam e as portas foram abertas. O que deixou a enorme impressão de que o show não foi terminado e sim interrompido. Não deu para saber exatamente o que rolou, mas para mim o show deixou a desejar. Teve momentos ótimos e deveria ter sido assim até o final, mas vou descobrir como é um show de verdade do The Casualties quando eles voltarem uma próxima vez. Pelo menos espero.

Texto por: Ursula Karina / Fotos: Aline Amaral


 

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