Grave Digger – Carioca Clube – 21/11/2009

GD1 Tivemos um dia diferente em termos de show de Heavy Metal. Era dia de show de Grave Digger, o que aí não é nada demais, visto que estes alemães já viraram nossos hóspedes. Eles já vieram em 1997 junto com o Rage, depois em 2003, em 2005 para gravar um DVD ao vivo e em 2008, ano passado! Até aí não teria nada demais, se não fossem vários fatores que ocorrem por trás dos shows, necessários para a realização dos mesmos.

Primeiro, a banda tocaria no Carioca Clube, uma casa de shows voltado aos gêneros populares (pagode, samba, forró) que está se tornando “referência” na cidade do Rock e do metal do Brasil (outra balela). Sim, faltam casas de shows em São Paulo! Antes, quando se tinha um show internacional por ano por aqui, qualquer lugar era lugar. Inclusive, muitas bandas anteriormente tocavam em estádios, pois qualquer um ia aos seus shows. Eu mesmo, fui em vários shows de bandas que não era muito fã, mas ia porque era o que tinha. Hoje, com 2 ou 3 shows todas as semanas, as pessoas são vão naqueles que gostam mesmo, e por isso, estão tendo vários shows, mas todos para públicos pequenos. Ano passado, “no long time ago”, dia 02 de agosto de 2008 o Grave Digger tocou no Citibank Hall (antigos DirecTv, Palace e outros nomes) para cerca de 2 mil pessoas.

Desta vez, tocou para cerca de 800 pessoas. Apesar de ser menos da metade, se faz satisfatória esta sua passagem, visto que tocou no meio de uns 20 shows de Metal ao mesmo tempo acontecendo. Ano passado, praticamente naquele mês e período, só tive o show deles. Outro fator curioso. Como faltam espaços para shows, o Carioca foi escolhido. Sim, Via Funchal e Credicard Hall são um lugares enormes para 6 ou 7 mil pessoas. O Citibank virou espaço para MPB e é raro terem shows de Rock por lá. O Olímpia foi comprado pela IURD. Os dois Tom Brasil sabe-se que fim deram. Sobram então casas alternativas. E por este Carioca ser uma casa popular, já haviam eventos na mesma noite do Grave Digger, então, o show teve que ser em horário de matinê, acabando no máximo as 21 horas. Isso mesmo! A programação começaria as 16 horas, horário de matinê! Estranho em se tratando de sábado e ser um show de Heavy Metal, mas era o horário e o dia e casa que haviam disponíveis.

Por diversos motivos, o Hellish War cancelou seu show e o Dr. Sin desistiu de tocar em cima da hora, por motivos técnicos: a bateria do Ivan Busic não caberia no palco! Visto que seria a bateria deles montada, mais a do Grave Digger e como o Rexor tocaria? Então, eles abriram mão para o Rexor tocar, senão eles não poderiam! Baita gesto do nosso Power Trio! E quem abriu foi o Rexor, infelizmente chegamos já no final do show, nos atrasamos devido ás fortes chuvas desta época. Mas grande parte do público curtiu, pois era um estilo inspirado nas bandas mais True, como o próprio Grave Digger.

Enfim, depois das 19 horas entra a banda principal, com o tecladista, vestido como a mascote do grupo e a instrumental The Gallows Pole, e abrem com Ballad Of A Hangman, faixa de abertura do último disco. Além de Ballads Of A Hangman ser um dos melhores discos da banda, estando num mesmo nível que The Grave Digger, esta faixa-título (ou quase, por causa de um “S” a menos) parece ter feito parte do set list do grupo desde sempre! Realmente, Chris Boltendahl, é um mestre para compor este tipo de música. Outro fato atípico é Manni Schmidt, guitarrista que ficou muitos anos na banda, não fazer mais parte dela. Claro, o dono do negócio é Chris, mas Manni Schmidt já era a cara do Grave Digger, assim como o restante da formação, Jens Becker (Baixo), Stefan Arnold (Bateria) e Hans Peter “H.P.” Katzenburg (Teclado). E Manni fez falta. Não só tocando guitarra, pois seus substituto Axel Ritt se mostrou muito fraco, deixando as músicas muito “vazias”, mas principalmente em presença de palco! Fora que no ano passado, tivemos a rara oportunidade de ver o GD com duas guitarras, o que já foi descartado neste ano mesmo. Ouvi muitas pessoas falarem que sentiam falta da segunda guitarra, mas o GD só a teve por um ano.

O que fez falta mesmo foi Manni, uma pena ter saído, pois esta foi a formação mais estável e a que mais durou da banda até hoje. Para quem os viu em 2005 e 2008, o set list atual, não sei se adaptado para o novo guitarrista, ficou aquém do set list anterior. Claro, que é legal haver mudanças, mas achei aquém. Por exemplo: entraram duas músicas novas, obvio, a faixa-quase-título e Hell Of Disillusion, que é a preferida de Chris do disco novo. de faixas novas, a título do single Pray, para mim, dispensável, ainda mais tocando no encore final. De The Grave Digger, em vez da faixa-título, tocaram Son Of Evil apenas. Das que se repetiram: Valhalla, Lionheart, Morgana Lefay, Excalibur, Knights of the Cross, The Last Supper, The Round Table (desta feita no começo do show), Silent Revolution e claro, The Dark Of The Sun, Rebellion (The Clans are Marching) e Heavy Metal Breakdown.

Eles não sairiam vivos dali senão tocassem estas três! Se Heavy Metal Breakdown é o clássico maior da banda, Rebellion (The Clans are Marching) é o seu maior hino, não só pelo excelente disco do qual faz parte, Tunes Of War, e pelo seu marcante vídeo clipe, mas pelo momento de quando este disco e faixa forma lançados, em 1996, quando todos bradavam que o Rock e o Metal estavam mortos, que o Techno seria a única música que existiria, que era brega ser cabeludo e tal, e quem continuou curtindo Rock e Metal, se tornavam mais fortes!

Quem viveu aquela época, pode ser chamado de verdadeiros heróis! Confesso que senti falta de clássicos como Grave In The No Man’s Land (essa faixa tinha que ser obrigatória ao vivo pra eternidade!), The Grave Digger, The Grave Dancer e The Ripper! Mas foi legal a variada. Enfim, saldo positivo, e que tenhamos mais produtores e mais shows no Brasil, e não só em SP! Agora falar que aqui em Sampa é capital mundial do Rock e Metal, é querer entrar no papo dos músicos que sempre falam que o Brasil é o seu país favorito.

Só tem muitos shows aqui porque a cidade é inchada e tem 11 milhões de habitantes, então, claro, vai ter mais pessoas que curtem que uma cidade de 200 mil habitantes, por exemplo, sem contar, que mais da metade do público que assiste a shows aqui, são do interior e muitas vezes até de outros Estados, até porque, quase todos do Brasil inteiro tem algum parente, familiar ou amigo que mora aqui, então fica fácil se hospedar. Parabéns à produção, que apesar de tantos percalços, conseguiu fazer o show dentro do horário. Ignorem as críticas, pois as pessoas pagaram para ver o Grave Digger, e não as outras bandas, que seriam apenas conseqüência de estar lá! Até porque o Rexor, que tocou no horário que seria do Dr. Sin, tocou pra casa vazia, a mesma só encheu minutos antes da atração principal. Então tem muita gente reclamando dos dois cancelamentos, mas que não veriam as duas bandas caso elas tivessem tocado!

Texto ; Flávio Santiago / Fotos: Carla Valentim

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