Obsessão por controlar o mundo ao seu redor,
Tudo é ditado pelos algoritmos dos novos profetas,
O relógio não pára, segundo a segundo, tic, tac, tic, tac,
Metáfora ultrapassada, os relógios não fazem mais barulho,
Hoje a vida se esvai em milésimos, um de cada vez,
Paz e sobriedade são para os retardatários e ultrapassados.
É preciso correr, competir, ganhar,
Não é permitido contemplar a si ou o mundo em transformação,
Os dias perfeitos agora são nos templos de consumo e de ostentação,
Nos colocamos no lugar dos deuses, e o mundo virou uma vitrine,
Tudo está a venda, mas nada pode ser tocado até que se compre algo.
A expiação terrena, a garantia da paz eterna, agora pode ser parcelada, e sem juros.
Categorizar, padronizar e controlar: foi o que conduziu a humanidade até este estágio,
Permitiu que pudéssemos expressar o mais belo de nossas paixões em números, letras e palavras,
Além de justificar todo o mal que fizemos uns aos outros durante milênios.
Faz parte da natureza humana obter o controle para si sobre o mundo ao redor,
Mas na ânsia estamos perdendo o controle sobre nós mesmos,
Somos quase divinos por fora e vazios por dentro.
Ricardo de Souza, 29/10/2009