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Resenha: Limite PDF Imprimir E-mail
Por Devanir Magi   
15 de May de 2008

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 Limite é um dos marcos do cinema mudo nacional e já foi considerado pela crítica estatal como o "melhor filme brasileiro de todos os tempos".
Ao assistir Limite pela primeira vez no final da década de 70, adorei o filme, entendi que estava diante de uma grande obra cinematográfica brasileira. Talvez pela pouca idade, ou pela euforia da época, não dei o devido valor. Até que no início dos anos 1990, a TV Cultura anunciou que transmitiria o filme, fiquei tão animado que fiz duas cópias em VHS, uma para guardar e outra para assistir e emprestar. limite.jpgLimite foi feito em 1930, em preto-e-branco e mudo. Seu autor foi Mário Peixoto que nasceu no dia 25 de março de 1908 em Bruxelas ou Tijuca, segundo ele mesmo. Herdeiro de duas das mais ricas famílias do Rio de Janeiro, ele pôde estudar na Inglaterra e conhecer Paris, onde viu a capa da revista Vu, que lhe inspirou a fazer o filme. Na capa estava impressa uma imagem feminina de frente, com os olhos fixos e, em primeiro plano, mãos masculinas algemadas. Foi assim que ele decidiu começar Limite com esta imagem da mulher e das mãos algemadas, que é sobreposta pelo mar vai surgindo e substituindo os olhos da moça, por fim, as águas marítimas prevalecem. Surge um barco a deriva no oceano, dentro dele estão três pessoas, um homem e duas mulheres completamente apáticos, ninguém rema. limite2.jpgAs histórias dos personagens são contadas por meio de flashbacks. A primeira mulher é uma ex-presidiária que enganou o carcereiro e fugiu, tentou levar uma vida normal como costureira, mas não conseguiu, ao ler nos jornais sobre sua fuga da prisão, resolve abandonar tudo. Já a segunda garota era esposa de um pianista fracassado, alcoólatra, que tocava em um cinema mudo. Sentindo-se presa tolhida e desesperada, ela abandona o homem que tanto desgosto lhe causara. O homem é um viúvo que tem um caso com uma mulher casada. Um dia, ao visitar o túmulo da falecida esposa, ele encontra o marido da amante que revela que sua mulher está com lepra, desesperado o viúvo foge. O filme foi exibido pela primeira vez no dia 17 de maio de 1931, em circuito fechado. Para alguns, esse filme não passa da única manifestação de uma vanguarda fechada; para outros, é um filme de extrema força artística. De qualquer forma, Limite é uma obra única, tanto que aqui no Brasil não sofreu nenhuma influência do cinema nacional e nem teve grande influência nas produções posteriores. Limite deve muito ao cinema estrangeiro e pode ser comparado a obras como Metropólis de Fritz Lang, que foi assistido por Mário Peixoto, na Inglaterra, em 1927. No entanto, sua influência no cinema internacional é quase nula. 006d.jpgLimite é um filme genuinamente brasileiro que leva ao êxtase as platéias que têm o privilégio de assisti-lo – já que o filme nunca foi lançado comercialmente e teve raras exibições no cinema e na televisão. Mesmo assim essas poucas reproduções só foram possíveis depois que a obra foi reencontrada, ela ficou debaixo de uma cama por longos anos e parte do rolo foi danificado por fungos. Apesar do difícil acesso, em 1988, Limite foi eleito pela Cinemateca Brasileira como o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Mário Peixoto morreu no dia três de fevereiro de 1992, não sem antes escrever e lançar um livro, “O Inútil de Cada Um” (Editora Record, 1984), onde explicou o porque da imagem da revista Vu o levou a fazer um filme daquela magnitude. Em 1996, Saulo Pereira de Mello lançou o livro “Limite” (Editora Rocco, 1996), onde aprofunda questões levantadas em torno desta obra cinematográfica.

 
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